COMEMORAÇÃO DO BICENTENÁRIO DA SEGUNDA INVASÃO FRANCESA

2009 Fevereiro 24
por Admin

A convite da Comissão organizadora do Bicentenário da Segunda Invasão Francesa, na pessoa do Senhor Comandante do RI 19, o Coronel José António Coelho Rebelo ao Grão-mestre, a Confraria de Chaves vai integrar no seu calendário estas comemorações. Esta participação representa para a Confraria um reforço na sua identidade como instituição que na essência e tal como os irmãos Rui e Garcia Lopes na reconquista aos Mouros, luta pela preservação e defesa dos valores gastronómicos e culturais da cidade de Chaves.

Segue o vasto calendário de eventos

COMEMORAÇÃO DO BICENTENÁRIO DA SEGUNDA INVASÃO FRANCESA

ÍNDICE
Emissão de Inteiro Postal;
Emissão de medalha comemorativa, da autoria do Mestre Nadir Afonso;
● Monumento ao General Silveira;
Colóquios temáticos;
Seminário (dia 24 de Marco, pela Academia Portuguesa da História);
Exposição de Pintura Nadir Afonso;
● Cerimónias oficiais, dia 25 de Março.

JANEIRO
Dia 12
11h00 – Conferência de Imprensa.
Dia 20
18h00 – Inauguração da Exposição Cartográfica “PORTUGAL EM VÉSPERAS DAS INVASÕES FRANCESAS: Conhecimento Geográfico e Configurações”, no Centro Cultural de Chaves;
21h30 – Conferencia temática –“GUERRAS PENINSULARES – a 2ª Invasão Francesa”, pelo Coronel Américo Henriques, na Biblioteca Municipal de Chaves.
FEVEREIRO

Dia 17
21h30 – Conferência a cargo do Professor Doutor Fernando de Sousa, na Biblioteca Municipal de Chaves.
Dia 20
14h30 – Desfile de Carnaval das Escolas, alusivo ao tema, pelas ruas da cidade.

MARÇO

Dia 21
14h30 – Passeio BTT – Percurso da Reconquista, pelos trilhos das freguesias do concelho.

Dia 24
10h00 – Colóquio “HISTORIA DE CHAVES”, com a presença de distintos membros da Academia Portuguesa da Historia, no Auditório do Forte de São
16h00 – Sessão solene da Comemoração do Bicentenário da Segunda Invasão Francesa;
17h00 – Conferencia “CERCO E TOMADA DE CHAVES, EM 1809”, pelo Professor Doutor Joaquim Veríssimo Serrado;
21h30 – Concerto pela ORQUESTRA DO NORTE, na Igreja Matriz.

Dia 24 a 29
- Exposição de material e equipamento militar com a montagem de um Posto Comando do BApSvc da BriInt, no Campo de Futebol 11 do RI 19;
- Actividades radicais: Torre de montanhismo, escalada, slide, rappel, Balão do Exército e pista de cordas.

Dia 25
09h00 – Foguetes e repiques dos sinos; – Salva de 23 tiros de canhão;
10h00 – Cerimónias Militares, no Regimento de Infantaria no 19;
11h00 – Parada Militar pelo Regimento de Infantaria no 19, no Largo da Lapa, com entrega de Estandarte a OMLT;
12h00 – Inauguração do Monumento ao General Silveira e descerramento da Lapide Comemorativa do Bicentenário da 2a Invasão Francesa, no Largo da Lapa;
15h30 – Inauguração da Exposição de pintura do Mestre Nadir Afonso, na Biblioteca Municipal de Chaves;
16h00 – Visita a Exposição “MATERIAL E EQUIPAMENTO MILITAR”, no Largo General Silveira.
16h30 –Inauguração da Exposição de trabalhos das Escolas, na Escola Secundária Fernão de Magalhães;

Dia 27 a 29
- Mostra de Produtos Regionais e serviços, no Parque Auto do RI 19.
Dia 29
- 10h30 – Corrida e Caminhada da Reconquista, pelas ruas da cidade.

Dia 31
21h30 – Conferencia “A INVASÃO DE SOULT E A RECONQUISTA DE CHAVES AOS FRANCESES. Uma análise operacional”, a cargo do Tenente-Coronel de Infantaria, Abílio Lousada.

ABRIL

Dia 18
15h00 – Conferencia “A MÁ ESTRATÉGIA DE NAPOLEÃO NAS ACÇÕES MILITARES CONTRA PORTUGAL”, a cargo do General Carlos Azeredo (em parceria com o governador Civil de Vila Real), no Regimento de Infantaria de Chaves.

MAIO

Dia 18 18h00 – Conferencia de Encerramento, a cargo do Dr. Júlio Montalvão Machado, na Biblioteca Municipal de Chaves;
21h30 – Concerto pela BANDA MILITAR DO PORTO.

www.reconquistadechaves.org

Entrevista com o Grão-Mestre, Carlos Botelho e o confrade António Cabeleira

2009 Fevereiro 18
por Admin

Excertos da entrevista na Rádio Larouco (Chaves), publicada e transcrita no semanário  ”O Intransigente” de 16 de Fevereiro de 2009.

Nota importante:  Trata-se de uma transcrição e deve ser entendida  apenas como parte da entrevista radiofónica, e por isso com alguns conteúdos  a ressaltarem descontextualizados.

“Confraria de Chaves virada para os produtos e os produtores”

Os sabores e saberes flavienses são ímpares. Não admira, pois, que a região seja considerada como destino gastronómico de excelência. É, por isso, imperioso preservar a qualidade de produtos que deram nome a Chaves. Mas, mais imperioso ainda é conseguir levá-los bem para fora do concelho – para o país e o estrangeiro. São estes os fins a que se propõe a recém-formada Confraria de Chaves.

Dizem os de maior idade que… “no saber ninguém parte”, numa clara alusão ao facto de que tudo pode ser roubado ou destruído, excepto a nossa riqueza interior, o nosso saber. A Confraria de Chaves resulta de uma iniciativa individual, assumida depois por um conjunto de personalidades flavienses, com vista à preservação do saber fazer e à promoção dos produtos regionais. Surgem à cabeça o folar, o pastel e o presunto, mas… outros mais há. É uma associação sem fins lucrativos, que foi criada há pouco tempo, mas tem dado passos firmes e seguros rumo aos objectivos a que se propôs. É uma equipa liderada por Carlos Botelho, o Grão-mestre, com quem Tribuna Livre esteve à conversa.

TL – Carlos Botelho é artista, está ligado às Ciências da Comunicação, e a residir Almada, sente-se, acima de tudo, flaviense…

CB - Gostaria de referir que a questão da residência que se levantou em determinada altura, em que foi algo complicado, porque afigurava alguém a querer “roubar os produtos da região”, tudo uma enorme falácia. Existe sim uma residência em Almada, mas também existe uma residência em Chaves e, acima de tudo, existe o ser flaviense, que está a cima de qualquer outro interesse. E é bom que se saiba que nesta altura não existe qualquer contenda com qualquer entidade que seja. Estamos todos neste momento de mãos dadas num projecto comum que é a Confraria de Chaves.

TL – Faça-nos um breve historial da confraria.

CB - A constituição da confraria teve alguns processos mais morosos, por algumas questões que se prendiam com a  necessidade de encontrar intervenientes que não tivessem conotações políticas. A política é nobre, quendo exercida dessa forma. Mas, a confraria tem uma política própria,  bem patente nos seus estatutos. Não existe uma única entidade nos órgãos sociais da confraria, que é absolutamente isenta, também a nível religioso – aceitamos naturalmente pessoas de todos os credos. Depois da assinatura da escritura, no dia 21 de Novembro, marcou-se a apresentação formal para esta feira, sobretudo para se ter contacto com a realidade dos produtores. Constituíram-se os corpos sociais, com 25 elementos [...]  As pessoas podem consultar em confrariadechaves.com quem são, e comprovar que merecerão todos os créditos, pois são figuras eminentes, não querendo referir absolutamente nenhuma.

TL – Eu permito-me, para satisfazer em parte a curiosidade de quem nos ouve, dizer, a título de exemplo, que o Grão-Conselheiro do Capítulo Geral  é o Dr. Júlio Montalvão Machado, verdadeira enciclopédia viva desta cidade, uma referência…

CB - Naturalmente,  que sim. Tal como a Dra. Maria de Lurdes Campos, que não estando nos corpos sociais é uma peça fundamental em todo este processo e naturalmente o António Cândido Cabeleira, o Dr. Carlos Guerra [...]  todos. Todos os que estão na confraria irão ter oportunidade de mostrar a sua capacidade de trabalho, que é para isso que lá estão.

TL – Confraria esta que é um instituição sem fins lucrativos com o objectivo da promoção dos produtos regionais…

CB - A confraria vai dar credibilidade aos produtos da região e vai tentar certificá-los. Todos sabemos o quão difícil é, em termos legais, consegui-lo [...]  A autarquia tem tentado desde há muito tempo [...]

TL – Está-me a falar da Identificação Geográfica Protegida?

CB - Por exemplo… É uma das condições para que esses produtos sejam verdadeiramente protegidos, não só através da marca, o que está neste momento a ser tentado, e se não for para nós não será para mais ninguém. Falo em termos de marca, que tanta polémica fomentou [...]

TL – É a própria confraria que está a tentar registar as marcas?

CB - Neste momento podemos dizer que sim, uma vez que como Grão-mestre da mesma  o fiz antes de ser eleito e uma das minhas promessas foi que aquilo que estava a fazer o fazia já em nome da confraria. E como sou um homem de palavra – essa é a minha maior riqueza – defendo-o intransigentemente.

TL – O que é necessário para qualquer produtor aderir à confraria?

CB - Como em qualquer associação, existem requisitos mínimos para que a ela se possa aderir. A Confraria de Chaves apesar de não ser uma instituição vulgar, mas de referência,  não pretende fazer discriminação;

[...] pretende ter nas suas hostes produtos reconhecidos por nós, certificados;

[...] criámos uma linha de apoio (808, custo de chamada local),  para que possam cumprir os requisitos mínimos e depois possam representar, com bandeira no ar, produtos da região com toda a sua genuinidade.

Não faria sentido ser de outra forma.

TL – 808, número azul. Quem é que o produtor tem do outro lado da linha?

CB - Do outro lado da linha terá uma voz que o irá acompanhar e lhe dará em 24 horas respostas às questões que coloca.  Existe um protocolo com a autarquia no sentido de através do Gabinete de Desenvolvimento Local dar uma resposta cabal ao problema no espaço de 24 horas. Muito em breve, estará disponível.

TL – Outro dos protocolos já assinados foi com a Adega Cooperativa de Chaves [...]

CB - A Adega está na minha vida bem marcada por ter sido local de trabalho do meu pai  e ter feito parte da minha infância. É uma das cooperativas mais bonitas do país. Quando vi o stand da cooperativa no evento dos Sabores e Saberes, achei que estaria algo [...]

Foi o que me motivou a entrar em contacto no sentido de ajudar. O protocolo que estabelecemos foi convidá-los a desenvolver um produto novo, de referência, que nós possamos levar aos nossos encontros gastronómicos, para brindar com algo da cooperativa, o que será uma excelente ajuda para a imagem e futuro da mesma.

TL – Muito em voga estão os negócios na net… E a confraria terá um portal gastronómico on line?

CB - Sim, porque a estratégia de actuação da Confraria de Chaves não se vai resignar aquilo que por norma temos visto e vemos nas confrarias, confinadas a encontros gastronómicos. Nos dias de hoje, não é o que os produtores mais anseiam.

Como a Confraria de Chaves está virada para os produtos e produtores, entendemos que esses encontros só por si não servem a causa.  Por isso, elaborámos um plano de actividades que  já teve início com a participação na feira. A elaboração do site resulta dos protocolos que a Confraria pretende celebrar.

E congratulamo-nos por um desses protocolos ser  com a Associação Portuguesa de Hotelaria, Restauração e Turismo, que conta no seu seio, desde 1904, com cerca de 5000 sócios, dedicados à restauração, hotelaria e turismo. Será a principal batalha: colocar os produtos da nossa região ao seu dispor.

TL – Haverá produção para uma procura tão alargada?

CB - Penso que não. Deixo uma palavra particularmente aos emigrantes, que muito em breve vão poder encontrar produtos da sua região, com o selo da Confraria de Chaves, produtos genuínos. A esse propósito, estive  27 anos em Lisboa,  queria um folar de Chaves e não sabia onde o ir buscar. Mas, mais grave é sentirmo-nos emigrantes na nossa própria cidade [...]

TL – Emigrante em Lisboa e em Chaves…  Faz sua a letra da canção do Roberto Leal, do português brasileiro?

CB - Não. Referia-me mesmo só ao facto de não se encontrar um lugar para comprar um presunto genuíno e não haver um espaço de referência para esse produtos local. De resto, na minha terra sinto-me em casa.

TL – Muito trabalho aguarda a Confraria.

CB - Sim, mas contamos com o apoio institucional, da autarquia, através de um subsídio e de uma sede cedida no Mercado Municipal, e alguns possíveis patrocínios. Contudo, a acção da confraria é mais vocacionada para a comercialização porque a qualidade dos produtos é um dado adquirido. Por outro lado,a chancela da confraria será o garante da genuinidade e qualidade, pela investigação e promoção. Queremos levá-los através da internet a todo o mundo. Já existe também essa loja on line, através de um parceiro que é a Loja do Confrade, que pretende ter no circuito o melhor da região.

TL – Que balanço faz da participação no evento do passado fim de semana?

CB - Foi a primeira vez que a confraria,  de forma informal, em meio-traje, esteve presente. Serviu, essencialmente,  para uma tomada de conta da realidade dos produtores e fornecer informações sobre a confraria.

TL – Será a Confraria a organizar o certame do próximo ano?

CB - Tudo aponta nesse sentido segundo o presidente. Também temos marcado para breve o Primeiro Capítulo da Confraria de Chaves, com confrarias convidadas e em que iremos ser entronizados  [...]

TL – E é para quando a entronização?

CB - Não há uma data concreta, porque há ainda muitos passos a dar que não vale a pena especificar, mas penso que dentro de dois a três meses será feita a primeira entronização. As manifestações de interesse e as inscrições on line indicam que a Confraria de Chaves deverá ter imensa projecção. Sinto muito orgulho neste projecto, até porque tinha havido várias tentativas de criação de uma confraria em Chaves e, curiosamente, ela não se concretizou. Gostaria aqui de convidar todas as pessoas que nisso tentaram, a fazer parte desta nossa Confraria. Mas, ainda em relação ao Plano de Actividades para 2009, referiria a adesão à Federação Nacional de Gastronomia Portuguesa; ao Conselho Europeu de Confrarias; a I Feira Agro-Biológica de Chaves; a I Festa da Colheita, que permitirá fazer uma celebração das colheitas; um evento dedicado ao folar, com projecção internacional; a criação de um ciclo de vídeos, intitulado “O Ciclo da Terra”, porque, quer queiramos quer não, é a terra que nos dá tudo; a presença na “Alimentaria Lisboa”, que é a feira de maior visibilidade da península ibérica; a publicação de uma revista dedicada a actividades gastronómicas e culturais da região; e a instituição de prémios ao produtor, prémios de fotografia; e terminar com uma gala para atribuição destes mesmos prémios.

TL – Fale-nos da escolha do patrono.

CB - É-me muito grato entender que uma confraria tem de ir beber à terra a sua origem, com as vestes dessa mesma individualidade [...]  Encontrei em Tito Flavius Vespasiano a referência para poder criar algo que pudesse projectar Chaves, porque nos identificamos muito mais com ele do que propriamente com o camponês. Tito protegeu Chaves e deu-lhe fama, ainda hoje usufruímos do trabalho que ele fez, gostaríamos que daqui a 2000 anos, evocando esse mesmo espírito se falasse eventualmente na Confraria de Chaves (risos), como tendo feito um trabalho pioneiro no panorama gastronómico nacional e que sirva de referência para outras confrarias, com o trabalho semi-profissional que vai realizar.

TL – O traje, o ritual das confrarias encerram um certo encanto…

CB - É mesmo assim. É no ritual que está presente todo o espírito da confraria, simbolicamente representado, é certo, por objectos, por símbolos, por tudo isso, que tanta estranheza por vezes causa às pessoas. Cada símbolo representa a terra e Chaves. Não compreendem neste momento, mas compreenderão mais tarde.

TL – Há aqui mão do Carlos Botelho artista no design dos símbolos da confraria?

CB - Sim, está nesta simbologia espelhada toda uma experiência gráfica, de vida  e de sentimento flaviense de anos. É o que espelha a espada que tanto representa para nós na região; é o que espelha o monte, a água,  a espiga, a gota de suor ou lágrima [...]

TL – Tem algo a acrescentar ao que já aqui foi dito?

CB - Muito haveria para dizer.  O que quero deixar claro como Grão-Mestre da Confraria é que estou consciente da responsabilidade que me assiste neste momento. Deixo uma palavra de apoio a todos os que sentem falta dele. Temos as portas abertas para que possam vir ter connosco, tirar dúvidas. Queremos ter produtos genuínos. Queremos mostrá-los ao mundo acima de tudo, pois por cá cada família terá o seu quinhão de produto regional. O consumidor final é emigrante  [...]  que chora quando ouve falar da sua terra e dos seus produtos, cresce-lhe água na boca e era esse desejo que gostaria de saciar com a nossa acção.

António Cabeleira, vice-presidente da Câmara,  é também confrade signatário da Confraria de Chaves.

TL – Já se justificava a Confraria, senhor arquitecto?!

AC - Sim, já se justificava de há uns anos a esta parte. Só agora se conseguiram reunir as vontades, para se constituir, na medida em que todos sabemos que as confrarias em Portugal são um bom instrumento para a promoção dos produtos locais. Chaves tem, produtos gastronómicos de nome nacional e internacional de sobra. Este instrumento já deveria ter sido utilizado para fazer a promoção dos mesmos.

TL – O Grão-Mestre evidenciou que há muito trabalho em curso. Não se dará o caso de haver depois procura para uma oferta sem capacidade de fazer face aos pedidos?

AC – Isso pode ser de facto um problema. Devemos todos enaltecer o trabalho elaborado pelo signatário principal e Grão-Mestre, Carlos Botelho, porque tem tido um empenho extraordinário, primeiro, na concretização da confraria e agora no desenvolvimento das suas actividades. Sei que tem tido inúmeros contactos de pessoas a pedirem presuntos de Chaves para os comercializarem no país e estrangeiro. Infelizmente ainda não temos produção organizada, capaz de satisfazer esses pedidos, mas é concerteza um bom incentivo para os nossos produtores saberem que,  se produzirem uma quantidade determinada, têm escoamento garantido e isso é importante.

TL – Também está a ser paulatinamente aumentada a rede de cozinhas regionais?

AC - Exactamente. As actuais cozinhas regionais e mesmo as explorações particulares, que não têm esse carácter de cozinhas tradicional poderão através da confraria e de toda a visibilidade que a confraria vai dar aos produtos locais, ser um veículo extraordinário para a promoção e venda dos produtos. Nós tivemos o cuidado – os signatários da confraria – de não a associar a um produto em concreto, mas sim à cidade. Porque Chaves é rica em vários produtos. É mais fácil até no estrangeiro, onde há muita emigração, com o nome da confraria colocar em locais de venda garantida o que tão bem sabemos produzir e temos de saber comercializar.

Entrevista por: Elisabete Fernandes

In O Intransigente

Confraria de Chaves vai promover presunto, folar e pastel

2008 Novembro 30
por Admin
Confraria de Chaves vai promover presunto, folar e pastel
Promover os produtos gastronómicos regionais, com especial destaque para o presunto, o folar e o pastel de Chaves, é o principal objectivo da recentemente criada Confraria de Chaves. Foi recentemente constituída por escritura pública, tendo como constituintes António Cabeleira, Carlos Botelho e Carlos Guerra.Na prossecução dos seus fins, a Confraria de Chaves visa a promoção de produtos regionais, a divulgação da região flaviense em actividades gastronómicas e culturais, a gestão de produtos e marcas comerciais, bem como a realização de vários eventos gastronómicos e culturais.

Entre outras actividades, esta associação sem fins lucrativos pretende igualmente defender e preservar a autenticidade e genuinidade dos produtos tradicionais, bem como promover a investigação relativa ao seu fabrico. Saliente-se que, no início dos anos 90, Chaves perdeu a marca Presunto de Chaves a favor do Presunto do Barroso, com a conivência de instituições locais e regionais, que não tiveram a sensibilidade de defender a manutenção de um património tão importante.
A partir de 2003, com o Programa de Combate à Desertificação Rural, o actual executivo camarário tem vindo a desenvolver um conjunto de iniciativas no sentido de reabilitar os produtos gastronómicos de reconhecida excelência em Chaves, quer através de candidaturas para a obtenção das marcas de Indicação Geográfica Protegida (IGP), quer através da consolidação de uma rede de cozinhas regionais no território concelhio.

Saliente-se que a autarquia também tem vindo a prestar apoio à instalação de unidades industriais na área da pastelaria, com especial destaque para a produção massiva do Pastel de Chaves, cuja importância é revelada pela produção media diária de 30 mil unidades e uma facturação anual de 6,6 milhões de euros.

(c) 2008 Notícias de Vila Real. Direitos Reservados

Confraria de Chaves ocupará o Solar

2008 Novembro 18
por Admin

Edição de 14-11-2008

Outeiro Seco – Quinta dos Montalvões – De espaço degradado a projecto apetecido

Lixo e degradação fazem parte do quotidiano da Quinta dos Montalvões, em Outeiro Seco. Propriedade do Município de Chaves, para aquele espaço estão projectados empreendimentos arrojados, na área da gastronomia, do ensino e investigação, saúde e apoio aos mais idosos.

A Quinta dos Montalvões, em Outeiro Seco, propriedade do Município de Chaves, mais parece um “aterro sanitário”, dada a quantidade de lixo aí despejada. Com acesso para veículos, são visíveis vários montões de lixo, entulho e até uma “pilha” de garrafas de vidro, umas intactas, outras partidas.

Este espaço, adquirido pela Câmara de Chaves, esteve cedido, durante 10 anos, à Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, para que aí pudesse desenvolver um pólo universitário.

No entanto, decorrido este tempo, regressou novamente para a responsabilidade da autarquia, dado aquela Universidade não ter desenvolvido qualquer projecto. Além do lixo acumulado, também o Solar está ao abandono, degradando-se com o passar do tempo.

Confrontando a Câmara Municipal de Chaves sobre esta situação, o Vereador António Cabeleira, referiu à A Voz de Chaves que desconhecia o amontoar de lixo nos terrenos da quinta, mas prometeu algumas medidas: mandar “os técnicos certificarem-se da situação, para que possa fazer uma queixa na Brigada Verde do Ambiente e solicitar a abertura de uma vala no acesso ao terreno, para que possa impedir a entrada de viaturas”.
Quanto ao Solar, assim como para todo aquele espaço da Quinta, estão em perspectiva arrojados projectos, no âmbito da gastronomia, ensino, saúde e apoio aos mais velhos.

Confraria de Chaves ocupará o Solar

Quanto a recuperação do Solar, a ideia é, após a recuperação do edifício, transformá-lo num espaço com múltiplas funções, mas com um tema único, a gastronomia, onde possa haver um restaurante, muito provavelmente para ser explorado por privados, um museu dedicado, também ele, ao sector gastronómico regional e uma pequena sala de exposições.

Segundo António Cabeleira “tudo está já pensado e a futura confraria de Chaves, que deve ser formalizada e legalmente formada a curto prazo, pode ficar responsável por toda a organização do edifício do Solar, que vai ser a porta de entrada para todo o empreendimento a desenvolver na Quinta.”

Dinamizar a Escola Superior de Enfermagem

Um outro aspecto relevante a desenvolver neste espaço é um novo empreendimento visando a dinamização da actual Escola de Enfermagem Dr. José Timóteo Montalvão Machado, que passa pela sua transformação numa Escola Superior de Saúde.

Este projecto está a ser desenvolvido em colaboração com o ISAVE (Instituto Superior de Saúde do Alto Ave), para que Chaves possa vir a ter um Instituto Politécnico, composto por duas Escolas Superiores: uma de Saúde e outra de Hotelaria e Turismo.

O vereador António Cabeleira mostrou o projecto e explicou toda a sua complexidade, dizendo que tudo vai ser feito por fases “e se o Governo aprovar a Escola Superior de Saúde, as obras arrancam de imediato”.
A complementar este espaço de formação universitária, “haverá um centro tecnológico, composto por dois ou três edifícios, adequados para a investigação, para as pessoas formadas nestas Escolas, pois queremos que se torne num campo de investigação a nível nacional.”

Este futuro Instituto Politécnico de Chaves comportará um espaço para uma residência universitária e um lar para a terceira idade, que irá servir para que as pessoas possam passar os últimos anos de vida com dignidade. Este mesmo edifício vai “atacar” uma das lacunas da região e “irá ter uma valência de unidade continuada de saúde e uma valência de cuidados paliativos”, referiu António Cabeleira.

“A unidade cuidados paliativos não é só para gente idosa, pois é para estas unidades que vem parar todos os doentes que estão em fase terminal. Os hospitais não têm grandes condições de os ter, porque não estão preparados para isso e são, como há bem poucos dias falou o Senhor Primeiro-ministro, necessárias bem mais camas.

Tudo isto é um complexo privado e o único investimento público é o da Câmara Municipal, no contexto da actual Escola Superior de Enfermagem, da qual a Câmara de Chaves é um dos sócios principais”, salientou António Cabeleira.

Nesta nova “cidade universitária”, se assim a podemos chamar, depois de estarem criadas todas estas condições, vai poder haver o curso de enfermagem com especialidade em geriatria e o curso de fisioterapia também com uma especialidade nesta área.

Outeiro Seco terá um Lar

Neste novo projecto que está a ser desenvolvido para a Quinta, uma pequena área já foi doada à Associação Mãos Amigas, de Outeiro Seco, para que aí possa construir o seu lar de terceira idade, para servir a freguesia. Um projecto estritamente local, independente do “hotel geriátrico” que vai ser concebido para servir toda a região Norte.

Eurocidade é uma mais-valia

A autarquia flaviense pretende que todo o projecto seja inserido na Eurocidade Chaves – Verin tendo valências do lado de lá da fronteira. “Do lado de Verin as valências vão ser ligadas ao sector do termalismo e do turismo. Nós temos a escola de hotelaria e turismo do lado de cá da fronteira, mas vamos ter os campos de estágios do outro lado da fronteira. Ligado ao termalismo, pretendemos fazer a mesma coisa.

A Escola Superior de Saúde irá ter uma especialidade de enfermagem e de fisioterapia para o termalismo e para os SPAS. Este projecto ira ter do lado de Verin instalações, no contexto da eurocidade, podendo vir a ganhar uma expressão bem mais vasta”, concluiu António Cabeleira.

Por: Paulo Silva Reis

Presunto, Folar e Pastel de Chaves

2008 Novembro 13
por Admin

Arquivo Voz de Chaves: Edição de 06-06-2008

Economia

Presunto, Folar e Pastel de Chaves poderão ir para Almada

Residente em Almada solicitou o registo das marcas nacionais Pastel, Folar e Presunto de Chaves, e, dentro do prazo, surgiram contestação por parte do Município de Chaves e de uma empresa flaviense, estando os processos em estudo.
Empresário flaviense solicitou, também, o registo Presunto de Chaves, para dinamizar o produto, ao que a Câmara de Chaves também se opôs.

Pela primeira vez, foi solicitado o registo no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) das marcas Folar de Chaves e Pastel de Chaves, a 14 de Janeiro de 2008, cujo pedido foi feito por Carlos Botelho, com residência em Almada.

Seguindo os trâmites legais, foram publicados tais pedidos no Boletim da Propriedade Industrial a 31/01/2008, e, desde essa data, decorriam 60 dias para oposição, ao fim dos quais o titular do pedido ficaria seu proprietário.

Para que tal pudesse acontecer, Jorge Santos, na qualidade de sócio-gerente da Firma Prazeres da Terra, sedeada em Chaves e com dedicação a produção de produtos regionais, apresentou contestação junto do INPI, com o intuito de evitar que o titular das marcas Pastel de Chaves e Folar de Chaves fosse de alguém fora do concelho.

“Soube, por acaso”, referiu Jorge Santos. Quando criou a firma, há cerca de dois anos, “equacionei registar a Marca Pastel de Chaves, pois não havia qualquer registo, embora me pareceu, na altura, que não preenchia os requisitos. Como estava a decorrer o processo para a certificação de Identificação Geográfica Protegida (IGP), tirei daí o sentido”.

No entanto, quando soube que havia um pedido para o registo dessas duas marcas, “coloquei a situação à Câmara de Chaves, e, apesar de saber que a Câmara iria contestar, também procedi à contestação, com apoio de um advogado, como contributo para que estas duas marcas, sendo de Chaves, aqui ficassem”.

Dado o trabalho desenvolvido por vários produtores do Pastel de Chaves, Jorge Santos considera que a IGP “é o melhor caminho para garantir os critérios de qualidade do fabrico do Pastel de Chaves e, ao mesmo tempo, permitir que só na região de Chaves possa ser produzido”.

Contestação poderá não ser eficaz

Não tendo procedido ao registo destas marcas, a Câmara de Chaves, segundo referiu a vereadora Maria de Lurdes Campos, foi avisada dos referidos registos por uma empresa do Porto, a qual foi, depois contratada, para proceder à reclamação.

Quanto ao desfecho, Maria de Lurdes Campos referiu que “estando a decorrer o processo de certificação de IGP, além de serem produtos que pertencem a esta região, tudo indica que será o Município de Chaves o titular destas marcas”, pois, se a contestação tiver provimento, será solicitado o registo destas marcas.

Até ao fecho da edição, não foi possível entrar em contacto com Carlos Botelho, no sentido de apurar as suas razões para os registos destas marcas nacionais.

Presunto de Chaves

Além de Carlos Botelho, também o empresário flaviense Rui Pereira solicitou o registo do Pastel e Presunto de Chaves. Quanto ao Pastel de Chaves, “dado que a produção está organizada, desisti, pois este registo veio por acréscimo”, referiu Rui Pereira, “pois, o que me interessava realmente é a marca Presunto de Chaves”.

A ideia surgiu quando procedia ao registo de algumas marcas das suas empresas e, por curiosidade “ deparei que a marca Presunto de Chaves não estava registada”. Surgiu, assim a ideia de fazer um investimento, para dinamizar este produto. Procedi ao pedido do registo, a 15 de Janeiro do corrente ano”.

O projecto, numa fase inicial, prevê um investimento na ordem dos 750 mil euros, criando 10 postos de trabalho directos. Envolvendo e estimulando os produtores, além da questão de marketing, rótulos, plano de negócios, foi necessário encontrar instalações.

Para o efeito, “dirigi-me à Câmara e, após referir a minha intenção, solicitei um espaço na Nova Zona Industrial, onde, também pretendia desenvolver um pequeno museu, onde fosse exposto, entre outros, as várias fases da produção do presunto”, referiu o empresário.

“Agora, deparo-me com a contestação, por parte do Município, quando, desde 1996 até agora nunca ninguém se importou”.
Desconhecendo a existência de um outro pedido para o registo da marca, feito por Carlos Botelho, com residência em Almada, a 14 de Janeiro de 2008, Rui Pereira salientou que “não sabia que havia outro pedido, pois, quando solicitei o registo, a informação que obtive é que nada constava.

Agora, caso não me for concedido o registo da marca, espero que a Câmara venha a ser a sua detentora e que, consequentemente, se proponha elaborar um projecto para dinamizar este produto, pois, se alguém quiser comprar o tão afamado presunto de Chaves, aonde se vai dirigir?” concluiu.

Reanimar o presunto

Maria de Lurdes Campos, vereadora da Câmara de Chaves, referiu que, “embora não haja um processo de certificação, estamos em crer que irá ser a Câmara a detentora da Marca, pois, iremos proceder ao seu registo, caso nos seja favorável o resultado da contestação”.

Quanto à situação de ser um empresário de Chaves, com um projecto para a dinamização do presunto de Chaves, “não podemos permitir que a marca Presunto de Chaves pertença a um só empresário, pois é algo que pertence à região. Deverá ser a Câmara de Chaves a ter a propriedade da marca, permitindo o usufruto da marca a todos os produtores” concluiu.

Marca Presunto de Chaves foi registada pela primeira vez, em 1992, por uma empresa de Chaves, tendo o respectivo registo caducado em 1996 e, desde essa data até Janeiro de 2008 não surgiu qualquer pedido de registo.

A outro nível, o Presunto de Barroso, com Identificação Geográfica Protegida (IGP) desde 1994, tem como área geográfica de abrangência o concelho de Montalegre, Boticas e Chaves, pelo que os produtores flavienses, seguindo o respectivo Caderno de Especificações, podem produzir Presunto do Barroso.

Por: Paulo Chaves

Em defesa da língua de Camões

2008 Novembro 13
por Admin

Arquivo A Voz de Chaves: Edição de 26-09-2008

Sociedade

Em defesa da língua de Camões Carlos Botelho volta a surpreender

“Revolucionou” a região do Alto Tâmega quando anunciou o pedido de registo das marcas do Pastel de Chaves e do Presunto. Hoje prepara-se para dar um passo bem maior, em defesa da língua de Camões e fundou a Wikilusa, uma enciclopédia livre e para todos, onde o objectivo é criar um espaço de partilha e repositório de informações sobre Portugal, as suas regiões, a sua gente e seus costumes. O projecto diferencia-se de todos os outros já existentes por privilegiar a utilização dos conteúdos em Português de Portugal, vincando uma posição bem forte contra o acordo ortográfico.

Carlos Botelho é um flaviense radicado na capital que não esconde a sua paixão pelas raízes. Sempre que entende, nem que seja para “espicaçar” as atenções para determinados assuntos, mostra-se bastante activo e “desafia” mesmo o poder.

A Voz de Chaves voltou a entrevistar o pintor e escultor que não esconde a sua paixão por Chaves e para além de falar do seu novo projecto, não se escusou em responder a questões relacionadas com os pastéis e presunto de Chaves, que tanto abalaram a cidade.

A Voz de Chaves – A Câmara Municipal de Chaves, ao que conseguimos apurar, avançou com um pedido de registo das marcas Presunto de Chaves e Pasteis de Chaves. Vai contestar?

Carlos Botelho – De forma alguma, embora tivesse toda a legitimidade e argumentos legais para o fazer. Não existe nem existiu com a autarquia qualquer antagonismo nesta matéria, uma vez que lutamos por causa comum em promissora parceria.

Existiram sim constrangimentos já ultrapassados a par de alguns percalços mediáticos, mas que no computo final resultam numa mais valia para os produtos, as marcas e a região. Recordo mais uma vez que o objectivo final do registo de uma marca comercial, tanto destes como de outros produtos, é a sua protecção, condição esta garantida já, inicialmente por mim e agora pela Autarquia e com o meu apoio.

Continuando com o processo, neste momento, preocupa-me mais o desenvolvimento da Confraria e as estratégias que permitam promover as marcas, independentemente do seu titular.

VC – Fale-nos sobre este processo que tanto mexeu com a população, que chegou a pensar que os pastéis iam deixar de ser de Chaves?

CB – Tendo parte do objectivo consumado, o passo seguinte é a constituição da Confraria de Chaves, em desenvolvimento desde 1996 e do interesse também do Município.

Posso aqui deixar a informação efectiva da sua constituição e apresentação pública para muito breve onde oportunamente, será divulgada as principais linhas e estratégias de actuação. A comissão instaladora constituída então, convocará publicamente e para o efeito, uma conferência de imprensa onde poderão estar presentes todos os interessados.

Como é sabido, a Confraria de Chaves tem consagrada na génese a defesa, promoção e divulgação dos produtos tradicionais e, de uma forma geral, dos usos e costumes da região de Chaves, nomeadamente os produtos gastronómicos, tradicionais e culturais. Ela representará os seus associados e a região, na defesa dos seus interesses perante entidades oficiais e outras associações afins, nacionais e estrangeiras.

Quanto ao “pânico” instalado penso que perante uma notícia incompleta, oportunista e sensacionalista só podia advir um juízo errado. As terras do “Demo”, são normalmente pródigas e vulneráveis a situações destas, nas quais rumores e alaridos florescem como cogumelos, e são terreno fértil para quem nada faz. Não será alheio a tudo isso o eventual aproveitamento de algum actor social ainda mal identificado, cujo objectivo seria bem claro. Nada disso intimida o projecto.

O mediatismo e a propagação a nível nacional da questão das marcas levantou o mote e há já hoje reflexos e resultados em produtos de outras regiões. A teledifusão nacional através de notícia em destaque ao longo do dia 10 de Julho, teve de facto muito desmérito, sobretudo pela falta de rigor jornalístico, contudo contribuiu e serviu de alerta para a situação de Chaves, que reflecte de um modo geral o panorama nacional.

Em contacto com algumas das principais Câmaras nacionais e breve contacto com a Confederação Portuguesa de Confrarias Gastronómicas, que representa cerca de 50 confrarias, foi possível perceber exactamente o mesmo e o imenso trabalho a desenvolver em matéria gastronómica, de forma concertada e o interesse da Confederação num modelo de desenvolvimento por mim já apresentado.

Sob pena da contínua despromoção das “marcas” nacionais no hostil mercado global, espero que também aqui Chaves e a sua Confraria possa dar cartas e desempenhar um importante papel.

VC – Na maioria das vezes as Confrarias têm participações das autarquias. Concorda com isto ou defende que deve ser autónoma?

CB – A Confraria de Chaves tem tido apoio da autarquia flaviense ainda que tímido, estando em tramite o processo oficial de apoio.
Como referi já, para a prossecução dos seus fins, a Confraria actuará com total independência e isenção, quer política quer religiosa.

Conta com a natural e prometida participação da Autarquia nos seus órgãos sociais, não apenas com estatuto de Membro Honorário na pessoa do seu presidente, mas também como entidade “Protectora”, uma das qualidades de mérito atribuídas a confrades singulares ou institucionais que com total transparência e zelo defendam e apoiem a mesma causa.

A Confraria de Chaves será um parceiro estratégico não apenas da Autarquia, reconhecendo-a como o responsável máximo pelas políticas de desenvolvimento local, mas também dos produtores e das associações que se identifiquem com o projecto, que serão recebidas de forma igual e fraterna. Não esqueçamos que uma confraria é uma irmandade vinculada pelos princípios, e consagrados em juramento público realizado em cerimónia ritual própria.

VC – Na Câmara de Chaves tem tido o devido apoio ou… os “anticorpos” também prejudicam o andamento dos projectos?

CB – Creio que se refere ao atraso e algum mediatismo e que parece contribuir para o atraso do projecto. Não entendo isso como resultado de algum anti-corpo, embora omni-presente, mas sim ao facto de se ter gerado uma ideia errada quanto a essa questão.

Se alguém ganharia com isso quero acreditar que não, aliás Chaves e os produtos é que certamente não. Quanto ao projecto Confraria está para lá de qualquer interesse individual e funciona pelo colectivo, razão suficiente para que qualquer “anticorpo” minimamente esclarecido, entenda o processo como uma inevitabilidade.

Carlos Botelho voltou a ser arrojado e avançou para a WikiLusa. Esta é a única enciclopédia no mundo a disponibilizar uma plataforma biográfica aos seus utilizadores, em articulação com a rede de vídeo Youtube proporcionando uma experiência pioneira, quer a nível de edição, quer de consulta aos conteúdos enciclopédicos.

A WikiLusa, ao que conseguimos pesquisar, integra, de forma fácil, avançadas funcionalidades interactivas, como filmes vídeo, permite rápida edição do texto, projectando-se também aos domínios do som e da imagem.

VC – Como surgiu esta arrojada ideia?

CB – A Wikilusa surgiu da necessidade de criar uma alternativa à Wikipédia, a maior enciclopédia do mundo, e cujos conteúdos têm vindo através da participação de editores brasileiros, a sofrer alterações tais, que textos originalmente portugueses são revertidos para um brasileiro arcaico.

Permite que artigos e textos originais portugueses sofram essa reversão mercê das regras da plataforma, resultando em claro prejuízo da língua portuguesa disponível On-line. Como sabemos a Wikipédia é o site mais consultado também para pesquisas e professores e académicos bem o sabem, o que atesta bem a importância desta matéria.

Como se não bastasse e para ajudar, surge do limbo e do silêncio, a ratificação de um acordo ortográfico de 1990, que não reuniu consenso em dezoito anos, e que de obsoleto foi abandonado, tirado da cartola por um ministro cuja “marca” histórica pretende ser a submissão da língua portuguesa ao domínio de 200 milhões de brasileiros e do hábil estratega, Lula da Silva.

É sabido que nós portugueses até gostamos do Brasil, gostamos de telenovelas, da Gabriela e outras como ela, mas, será plausível hipotecar o que “resta da nossa língua”, último reduto da nossa identidade em prol de coisa tão vã? Claramente que a resposta será não.

Em causa própria a Wikilusa surge exactamente, numa causa nacional que também é pessoal e partilhada por milhões de portugueses, que também aqui nesta matéria viram negada a oportunidade de se manifestar, exactamente naquilo que têm de mais genuíno, a sua língua.

É o acordo em desacordo. Precisamente pela indignação decorre neste momento um Manifesto em forma de petição online, contra o Acordo Ortográfico e dirigida ao Ex. mo Senhor Presidente da República Portuguesa, o Senhor Presidente da Assembleia da República Portuguesa, e ao Senhor Primeiro-Ministro de Portugal, uma petição que já conta com 95.000 assinaturas e reflecte uma pequena parcela do descontentamento gerado nesta matéria referente aos últimos quatro meses.

Estes números referem-se apenas à pequena parcela de portugueses que têm acesso a computadores e destes, aqueles que têm conhecimento de causa. Não quero acreditar numa apatia conhecedora e generalizada normalmente tão bem aproveitada pela esfera política. Mérito reconheço a alguma comunicação social que nestas matérias se tem revelado como o garante do alerta popular e que tantas vezes faz mudar o rumo dos acontecimentos.

Quanto à petição, esta foi subscrita inicialmente por reconhecidas individualidades da área das letras, da política e da cultura portuguesas entre os quais destaco, António Emiliano, António Lobo Xavier, Eduardo Lourenço, Helena Buescu, Jorge Morais Barbosa e ainda, José Pacheco Pereira, José da Silva Peneda, Laura Bulger, Maria Alzira Seixo, Mário Cláudio, Paulo Teixeira Pinto, Raul Miguel Rosado Fernandes, sem esquecer o Vasco Graça Moura, o Vítor Manuel Aguiar e Silva, ou a Zita Seabra, a quem se juntou o poeta e inigualável deputado Manuel Alegre.

O Manifesto basicamente denuncia as «imprecisões, erros e ambiguidades» na projectada reforma ortográfica, que se considera «mal concebida», «sem critério de rigor», «desnecessária» e «perniciosa», e de ter «custos financeiros não calculados».

O Acordo Ortográfico serve apenas interesses políticos e económicos do Brasil, pretende abrasileirar a ortografia de muitas palavras do português europeu com a justificação de facilitar o relacionamento, ainda que isso possa custar perda de identidade linguística e milhões de euros em novas publicações.

VC – A WikiLusa utiliza o software estável Mediawiki, utilizado também pela Wikipédia , mas com conteúdos essencialmente em português de Portugal. Vai ser seu concorrente?

CB – O projecto diferencia-se da Wikipédia por privilegiar a utilização dos conteúdos em matéria e em português europeu. Muitos dos artigos são baseados na Wikipédia mas são depois normalizados de acordo com o livro de estilo e já atingiu os 20.000 artigos.

A WikiLusa.com é também a única enciclopédia no mundo a disponibilizar uma plataforma biográfica aos seus utilizadores, sem os critérios de notoriedade e admissibilidade impostos por uma comunidade esmagadora brasileira, que domina a plataforma Wikipédia, democratizando-se e assumindo-se como uma plataforma verdadeiramente Livre e portuguesa.

Com este instrumento, podemos homenagear as gentes e locais da nossa terra que por qualquer razão não tiveram espaço mediático que não fosse a memória individual ou colectiva. Foi implementada na sua funcionalidade, uma ferramenta em articulação com a rede de vídeo Youtube proporcionando uma experiência única, quer a nível de edição, quer de consulta aos seus conteúdos.

Por exemplo, é possível, agora enquanto consulta a biografia escrita de Carlos Paredes, ler, ver e ouvir o seu vídeo e poder avaliar o artigo, pontuando-o de um a cinco. Com a rápida edição do texto permite contribuições abertas que resultam num fenómeno colectivo sem precedentes. É um espaço gerido pela comunidade onde prevalece o positivismo e a regra de bom senso.

VC – A WikiLusa pode ser vista e editada por qualquer pessoa e os conteúdos facilmente pesquisáveis? Até onde pretendem chegar com este projecto?

CB – A wikilusa acredita ser um conceito de depuração dos conteúdos relativamente ao universo de temas e línguas existente hoje na Wikipédia. É um espaço comum na partilha de informação cujo conceito “wiki” constitui sucesso hoje no mundo.

Este é um projecto nascido da vontade de colocar à disposição do público português os recursos necessários para a criação de uma plataforma de acesso livre a conteúdo editorial específico sobre Portugal e as suas particularidades, num plano integrado e estratégico de desenvolvimento das regiões, criando um espaço privilegiado para a defesa e divulgação das pequenas e diversificadas riquezas regionais, na massificadora sociedade da informação.

Para que isto seja possível, a Wikilusa é promovida e apoiada pela. Confraria de Chaves, que fornece os meios tecnológicos e Know-how necessários para a comunidade desenvolver livre e gratuitamente o projecto.

É um espaço de partilha, investigação e validação de informações capazes de poder despertar a consciência colectiva para assuntos como por exemplo, a naturalidade de Luís de Camões que provavelmente terá nascido Flaviense.

Outros reclamam a sua origem embora sem referencias credíveis, e quem sabe através das múltiplas ligações que as wikis permitem seja possível que alguém venha a lançar a pista ou informação relevante capaz de revelar o acontecimento.

Em contraponto com os manuais de história habitualmente assinados por um só autor e que reproduzidos se multiplicaram nas virtudes e nos defeitos, o modelo Wikilusa escreve a história em tempo real, e em total transparência. Os seus registos são guardados num histórico, não permitindo que informação alguma introduzida seja perdida.

Para terminar direi, quando o que se impõe é recompor uma herança e enriquecê-la, atendendo ao princípio da diversidade, um dos vectores primordiais de acção é o esforço conjunto e solidário na consolidação desse mesmo objectivo.

Quero expressar ao Jornal A Voz de Chaves, o cuidado e o rigor que tem pautado o seu nobre exercício, nem sempre fácil, que é o jornalismo de informação.

Por: Paulo Silva Reis

Confraria de Chaves

2007 Novembro 28

A Confraria tem por fim a defesa e divulgação dos produtos tradicionais e, de uma forma geral, dos usos, costumes e tradições da região de Chaves, nomeadamente os produtos gastronómicos e todos os saberes e tradições que lhes estão associados.

2 - Na prossecução dos seus fins, a Confraria actuará com total independência e isenção política e religiosa, devendo a sua gestão ser orientada por critérios de equidade, racionalidade e de adequada aplicação e aproveitamento dos meios e bens pertença ou colocados à sua disposição.

3 - A Confraria representa os seus associados na defesa dos seus interesses, no âmbito definido nos números anteriores, perante entidades oficiais e outras associações afins, nacionais e estrangeiras.